| REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 154 |
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Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra (Anísio Teixeira) O brincar é o principal meio de aprendizagem da criança...a criança gradualmente, desenvolve conceitos de relacionamentos causais, o poder de discriminar, de fazer julgamentos, de analisar e sintetizar, de imaginar e formular. ( Des, 1967 Par. 523)
| REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 154 |
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No meio da tragédia do Haiti, que comove até mesmo os calejados repórteres de guerra, levo um choque nacional. Não são horrores como os de lá, mas não deixa de ser um drama moral. O relatório "Educação para todos", da Unesco, pôs o Brasil na 88ª posição no ranking de desenvolvimento educacional. Estamos atrás dos países mais pobres da América Latina, como o Paraguai, o Equador e a Bolívia. Parece que em alfabetizar somos até bons, mas depois a coisa degringola: a repetência média na América Latina e no Caribe é de pouco mais de 4%. No Brasil, é de quase 19%.
No clima de ufanismo que anda reinando por aqui, talvez seja bom acalmar-se e parar para refletir. Pois, se nossa economia não ficou arruinada, a verdade é que nossas crianças brincam na lama do esgoto, nossas famílias são soterradas em casas cuja segurança ninguém controla, nossos jovens são assassinados nas esquinas, em favelas ou condomínios de luxo somos reféns da bandidagem geral, e os velhos morrem no chão dos corredores dos hospitais públicos. Nossos políticos continuam numa queda de braço para ver quem é o mais impune dos corruptos, a linguagem e a postura das campanhas eleitorais se delineiam nada elegantes, e agora está provado o que a gente já imaginava: somos péssimos em educação.
Pergunta básica: quanto de nosso orçamento nacional vai para educação e cultura? Quanto interesse temos num povo educado, isto é, consciente e informado - não só de seus deveres e direitos, mas dos deveres dos homens públicos e do que poderia facilmente ser muito melhor neste país, que não é só de sabiás e palmeiras, mas de esforço, luta, sofrimento e desilusão?
Precisamos muito de crianças que saibam ler e escrever no fim da 1ª série elementar; jovens que consigam raciocinar e tenham o hábito de ler pelo menos jornal no 2º grau; universitários que possam se expressar falando e escrevendo, em lugar de, às vezes com beneplácito dos professores, copiar trabalhos da internet. Qualidade e liberdade de expressão também são pilares da democracia. Só com empenho dos governos, com exigência e rigor razoáveis das escolas - o que significa respeito ao estudante, à família e ao professor - teremos profissionais de primeira em todas as áreas, de técnicos, pesquisadores, jornalistas e médicos a operários. Por que nos contentarmos com o pior, o medíocre, se podemos ter o melhor e não nos falta o recurso humano para isso? Quando empregarmos em educação uma boa parte dos nossos recursos, com professores valorizados, os alunos vendo que suas ações têm consequências, como a reprovação - palavra que assusta alguns moderníssimos pedagogos, palavra que em algumas escolas nem deve ser usada, quando o que prejudica não é o termo, mas a negligência. Tantos são os jeitos e os recursos favorecendo o aluno preguiçoso que alguns casos chegam a ser bizarros: reprovação, só com muito esforço. Trabalho ou relaxamento têm o mesmo valor e recompensa.
Sou de uma família de professores universitários. Exerci o duro ofício durante dez anos, nos quais me apaixonei por lidar com alunos, mas já questionava o nível de exigência que podia lhes fazer. Isso faz algumas décadas: quando éramos ingênuos, e não antecipávamos ter nosso país entre os piores em educação. Quando os alunos ainda não usavam celular e iPhone na sala de aula, não conversavam como se estivessem no bar nem copiavam seus trabalhos da internet - o que hoje começa a ser considerado normal. Em suma, quando escola e universidade eram lugares de compostura, trabalho e aprendizado. O relaxamento não é geral, mas preocupa quem deseja o melhor para esta terra.
Há gente que acha tudo ótimo como está: os que reclamam é que estão fora da moda ou da realidade. Preparar para as lidas da vida real seria incutir nos jovens uma resignação de usuários do SUS, ou deixar a meninada "aproveitar a vida": alguém pode me explicar o que seria isso?
http://veja.abril.com.br/030210/educacao-quarto-mundo-p-022.shtml
| Escrito por Folha Online |
| Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 09:20 |
Colaboração para a Folha Online Uma chuva de papel picado no Anhembi abriu o desfile da Mancha Verde, quarta escola a passar no sambódromo nesta primeira noite do Carnaval de São Paulo. O samba-enredo da escola, "Aos mestres com Carinho! Mancha Verde Ensina Como Criar Identidade!", homenageou os grandes mestres mundiais e os dez anos da escola. Parte da arquibancada tinha bandeirinhas da escola. Veja cobertura completa do Carnaval A comissão de frente representou a lenda grega de Orfeu. O carro abre-alas --Grécia, berço da sabedoria-- trouxe personagens da mitologia grega. A primeira ala representou os jovens espartanos que eram educados para a guerra. Fabio Braga/Folha Imagem Viviane araujo no desfile da Mancha Verde O segundo carro da Mancha abordou a China e o seu ensinamento sobre equilíbrio. Na alegoria, homenagens aos dragões chineses e ao Tai Chi Chuan. Portugal encontra a cultura indígena no Brasil foi o tema do terceiro carro alegórico, que trouxe pajés e o símbolo da cruz de malta. O quarto carro mostrou a revolução no ensino na era da informática e o último, com 14 metros de altura, trouxe o Manchão -- símbolo da Mancha Verde -- homenageando os mestres do Carnaval e do samba. O corinthiano Edmar Thobias, presidente da escola de samba Vai-Vai, foi um dos homenageados e desfilou neste carro. Os temas das alas foram os índios brasileiros, o estudo na Europa, os navegadores e os jesuítas, além de homenagens ao educador Paulo Freire e ao filme "Ao mestre com carinho". A Roma e o Egito também foram representados durante o desfile. Os ritmistas vieram fantasiados de Confúcio, filósofo chinês. Viviane Araújo foi a rainha da bateria e mostrou durante todo o desfile que sabia cantar o samba-enredo da escola. A Mancha Verde levou para a avenida 4.000 componentes divididos em 22 alas. Desfiles Antes da Mancha Verde, se apresentaram no sambódromo Acadêmicos do Tucuruvi, Imperador do Ipiranga e Leandro de Itaquera. Na sequência, desfilam Unidos de Vila Maria, Rosas de Ouro e Vai-Vai. No sábado é a vez de Águia de Ouro, Tom Maior, Mocidade Alegre, X-9 Paulistana, Gaviões da Fiel Império de Casa Verde e Pérola Negra. |
A autonomia exprime-se como produto da relação e consiste na harmonização da pessoa com os ambientes em que se insere. Não existe autonomia no isolamento nem na solidão
http://www.revistapatio.com.br/sumario_conteudo.aspx?id=726
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O sujeito (aluno ou professor) não se movimenta entre os dois polos - é a convergência dos dois polos em situação. O modo como interpela a situação e as características do contexto estabelecem o ponto de convergência. O indivíduo é uma mistura sempre provisória de autonomia e heteronomia, a dependência do sujeito em relação à sociedade e à cultura. A autonomia alicerça-se num processo simbiótico, não é a orgaização do caos das solidões. Organiza-se sobre a dependência e reforça-se nas suas contradições. Poderia, então, redefinir a autonomia exercida na Ponte como o autorreconhecimento pelo sujeito das suas inevitáveis dependências em relação à multiplicidade e à complexidade do mundo que o envolve e do seu mundo interior. A autonomia exprime-se como produto da relação e consiste na harmonização da pessoa com os ambientes em que se insere. Não existe autonomia no isolamento nem na solidão.
José Pacheco é mestre em Educação.
jfpaheco@mail.telepac.pt