
Embrenhar pelas veredas da Filosofia é seguir as pegadas de Pitágoras, o grande mentor, que soube conviver com os números sem perder a harmonia com as palavras. Do velho sábio Sócrates, dominador, senhor de todos os tempos... Que valorizou a descoberta do homem e o guiou para as conquistas de valores universais... De Aristóteles, que se orientou nos filósofos pré-platônicos para alicerçar o seu magnífico sistema, por acreditar que somos aquilo que fazemos. E, como não poderia ser esquecido, o fiel discípulo Platão, que trilhou as pegadas do mestre Sócrates. Hábil e irascível, soube transitar entre o inteligível e o sensível, onde o mundo concreto era nada mais do que uma pálida reprodução do mundo das ideias... Os posteriores foram simplesmente admiradores, meros seguidores.
Pois a Filosofia, no seu emaranhado de bifurcações, forma labirintos que nos arremessam numa viagem tão alucinante que uma breve escala ao Mundo de Sofia é inevitável para abastecer-se de conhecimento e magia, encontrar respostas e esvair dúvidas.
Apesar de o velho ditado assegurar que, “de filósofo e louco, todos temos um pouco”, cada ser busca dar um tom na própria existência, e as palavras, como poderoso veículo de comunicação, fluem, se agrupam, formam ideias brilhantes e, até que se prove o contrário,
Filosofia é um assunto que não interessa só ao especialista porque — por mais estranho que isto pareça — provavelmente não há homem que não filosofe; ou, pelo menos, todo homem se torna filósofo em alguma circunstância da vida. […] o importante é que todos nós filosofamos, e até parece que estamos obrigados a filosofar (BOCHENSKI, 1977:21).
Mas como introduzir toda essa gama de conhecimentos no universo da criança?
É um passo delicado, pois significa explorar um mundo abarrotado de enigmas, de mágicas, onde uma descoberta é exclusivamente mais um passo rumo ao incógnito e onde imaginário e realidade se confundem. Fantasias e anseios não trilham o mesmo caminho que as atividades lúdicas. E o mistério intriga cada vez mais até quem ousou explorar esse universo tão fértil, superlotado de surpresas, que surpreende até os próprios pesquisadores. Piaget e Vygotsky que o digam.
Pois conviver com a intelectualidade aflorada, a ingenuidade e uma curiosidade sem extremos desafia o educador a buscar novos caminhos, fazer proezas para acompanhar o ritmo de uma geração que não para esperando os fatos acontecerem, por ser o núcleo dos próprios fatos.
É preciso explorar esse terreno que faz germinar tantas ideias quanto à capacidade da criança de imaginar. Comenius acredita que
Não é necessário introduzir nada no homem a partir do exterior, mas apenas fazer germinar e desenvolver as coisas das quais ele contém o gérmen e fazê-lo ver qual a sua natureza. Por isso, Pitágoras preocupava-se em dizer que era tão natural ao homem saber tudo que, se fossem apresentadas com jeito a um menino de sete anos todas as questões de toda a Filosofia, com certeza responderia a todas com segurança. (COMENIUS, 1999:118).